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Um Volkswagen Gol 1988 CL 1.6 AP movido a etanol, com apenas 63 quilômetros originais no hodômetro, acaba de entrar para uma coleção de carros raros e mostra como determinados exemplares do hatch podem alcançar valores muito acima do esperado.
A história foi revelada pela Autoesporte e envolve o ex-senador Raimundo Lira, de Campina Grande (PB), colecionador que mantém uma série de automóveis em condições próximas de zero quilômetro.
Lira procurava justamente um Gol como esse, que remetesse a uma parte importante da história do modelo. Quando encontrou o exemplar em São Paulo, em 2026, não hesitou: investiu mais de R$ 200 mil para levar o carro ao Nordeste.
É um valor que, como destaca a Autoesporte, já seria suficiente para comprar diversos SUVs compactos e até alguns modelos médios.
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Não é simplesmente o fato de ser um carro de 1988.
O grande diferencial está na combinação de versão, originalidade, conservação e quilometragem extremamente baixa.
Um Gol dessa época normalmente já teria passado por décadas de uso, modificações, restaurações ou trocas de componentes. Encontrar um exemplar que praticamente não rodou é outra história.
Os 63 km originais ajudam a colocar o carro em uma categoria muito diferente de um Gol usado convencional.
E é justamente aí que entra o mercado de colecionadores.

Gol Vintage também é uma raridade
Outro destaque da coleção é o Gol Vintage, série especial lançada em 2011 para comemorar os 30 anos do Gol.
A Volkswagen produziu somente 30 unidades da versão, que tinha pintura especial, acabamento diferenciado e uma guitarra Tagima desenvolvida especificamente para acompanhar o carro.
Na época, o Gol Vintage custava pouco mais de R$ 52 mil.
Hoje, porém, a história é outra.
A combinação de produção extremamente limitada e interesse de colecionadores fez da versão uma das configurações mais raras da história do Gol. Há registros de exemplares pouco rodados anunciados por valores próximos ou superiores a R$ 100 mil.
Por que um Gol pode custar mais que um T-Cross?
A comparação parece estranha, mas existe uma explicação simples.
Um T-Cross novo é comprado principalmente como veículo de uso: oferece tecnologia, segurança, espaço, garantia e outros atributos esperados de um SUV moderno.
Já um Gol como o exemplar de 1988 encontrado por Lira tem outro propósito.
Ele é uma peça de coleção.
Nesse mercado, fatores como originalidade, conservação, quilometragem, raridade e importância histórica podem pesar muito mais do que idade ou equipamentos.
Por isso, não significa que todo Gol antigo valha mais que um carro novo.
Significa que determinados exemplares, por suas características excepcionais, podem alcançar preços muito acima do que seria esperado para um hatch popular de quase quatro décadas.

O Gol que deixou de ser apenas um carro popular
O curioso nessa história é justamente a transformação do modelo.
O Gol foi criado para ser um carro acessível e se tornou um dos maiores fenômenos da indústria automotiva brasileira. Em 1988, por exemplo, a família Gol recebeu atualizações como novo painel, enquanto o modelo ganhou banco traseiro bipartido e outras mudanças.
Décadas depois, um exemplar praticamente intocado daquela época pode virar objeto de desejo de colecionador.
É a raridade que muda a lógica do preço.
E, no caso do Gol de Raimundo Lira, existe ainda um detalhe que torna tudo mais impressionante: um carro que quase não rodou desde 1988 custou mais de R$ 200 mil para chegar à coleção.
Para um modelo que nasceu como símbolo de carro popular, é uma valorização – e uma história – bastante incomum.
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