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Os radares com IA já estão mudando a forma como os motoristas são fiscalizados em São Paulo. Em apenas um mês, duas câmeras instaladas na Rodovia Raposo Tavares registraram 2.316 infrações, principalmente por falta de cinto de segurança e uso de celular ou fones de ouvido ao volante. O número mostra que a nova tecnologia vai muito além dos tradicionais radares de velocidade.
De acordo com apuração do portal Autoesporte, os equipamentos começaram a operar em 3 de agosto, nos quilômetros 17 e 18 da Raposo Tavares, na chegada à capital paulista. Entre 3 de agosto e 3 de setembro, foram contabilizadas 2.316 ocorrências. A diferença é que, em vez de olhar apenas para a velocidade do veículo, as câmeras conseguem analisar comportamentos dentro do automóvel.
Radares com IA fiscalizam mais do que a velocidade
A principal mudança para o motorista está justamente no tipo de infração que pode ser identificado.
Os equipamentos instalados na Raposo Tavares conseguem registrar situações como:
- motorista ou passageiro sem cinto de segurança;
- condutor utilizando ou manuseando celular;
- uso de celular ou fones de ouvido durante a condução.
Segundo os dados divulgados sobre o primeiro mês, 1.386 ocorrências foram relacionadas à falta de cinto, enquanto outras 930 envolveram celular ou fones de ouvido.
Isso significa que a presença de um radar no caminho não deve mais ser associada apenas à necessidade de reduzir a velocidade. Com a inteligência artificial, o comportamento do motorista e dos ocupantes também entra no campo de fiscalização.
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O volume registrado em apenas um mês dá uma dimensão de como esse tipo de tecnologia pode ampliar a fiscalização.
Das 1.386 ocorrências relacionadas ao cinto, 779 envolviam motoristas e 607 passageiros. Ou seja, a fiscalização não se limita a quem está conduzindo o veículo: o comportamento dos demais ocupantes também pode resultar em autuação quando houver descumprimento da regra.
O Código de Trânsito Brasileiro determina que o cinto seja utilizado por condutor e passageiros em todas as vias do território nacional, salvo as situações regulamentadas pelo Contran. Deixar de utilizá-lo é uma infração grave.
Na prática, portanto, quem costuma viajar sem cinto no banco traseiro ou permite que passageiros deixem de utilizá-lo também precisa ficar atento à nova forma de fiscalização.
Celular ao volante também pode ser flagrado
O uso do celular é outro comportamento que ganhou atenção com os novos equipamentos.
Entre as 930 ocorrências registradas nessa categoria, houve casos relacionados ao manuseio do aparelho e outras situações envolvendo celular ou fones de ouvido.
O CTB estabelece regras específicas para o uso de telefone durante a condução. Segurar ou manusear o celular enquanto dirige caracteriza infração gravíssima, enquanto outras condutas relacionadas ao uso de aparelhos podem ter enquadramentos diferentes, conforme a situação registrada.
Para o motorista, a consequência prática é simples: não basta guardar o celular apenas quando avistar um radar. Se a tecnologia estiver instalada em um trecho fiscalizado, o comportamento pode ser registrado durante a passagem pelo equipamento.
A IA aplica a multa sozinha?
Não.
Embora os radares com IA sejam capazes de identificar possíveis infrações automaticamente, as câmeras não funcionam como um sistema que simplesmente detecta a irregularidade e dispara uma multa sem análise.
As imagens registradas são encaminhadas para a Polícia Militar Rodoviária, que verifica o flagrante antes da emissão da autuação. Se a situação não for confirmada, o registro não deve resultar em penalidade.
Essa etapa também é importante para diferenciar o uso da inteligência artificial na fiscalização de uma aplicação automática e irrestrita de multas.

Onde os radares com IA estão sendo usados?
A tecnologia começou a ser utilizada nos quilômetros 17 e 18 da Raposo Tavares, mas a fiscalização com inteligência artificial não deve ficar restrita a esse ponto.
Há previsão de ampliação do sistema para outros trechos rodoviários, incluindo a Rodovia Castello Branco. Segundo informações divulgadas sobre a expansão, novos equipamentos devem ser instalados em pontos da rodovia, embora o início das autuações nesses locais ainda dependa da implantação e dos procedimentos necessários.
Câmeras com inteligência artificial também vêm sendo utilizadas em outras regiões do estado para ampliar o monitoramento e a identificação de infrações.
O que muda na rotina do motorista?
A chegada dos radares com IA reforça uma mudança importante na fiscalização de trânsito: o motorista precisa estar atento às regras durante todo o trajeto, e não somente quando passa por um radar convencional.
Na prática, alguns cuidados continuam sendo básicos:
- use o cinto de segurança, inclusive no banco traseiro;
- não segure nem manuseie o celular enquanto dirige;
- evite qualquer comportamento que tire a atenção da via;
- respeite os limites de velocidade e demais regras de circulação;
- em viagens, organize o uso do celular antes de iniciar o deslocamento.
A tendência é que equipamentos desse tipo sejam utilizados em mais rodovias. Por isso, o caso das 2.316 autuações na Raposo Tavares funciona como um alerta: a inteligência artificial está ampliando o que pode ser observado pelas câmeras de fiscalização.
Para o motorista, isso significa que dirigir de acordo com as regras deixa de ser apenas uma questão de evitar o radar de velocidade. Cinto, celular, atenção e comportamento dentro do veículo também estão no foco da fiscalização.
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